há de ser...

há de ser profundamente acolhido o riso
imerso outrora no abandono
há de ser que o tempo líquido
escorrido sobre fissuras
repare as desordens inscritas
a ferro e fogo na malha da realidade
tão intenso quanto inexplicável será
o sol que nasce e não aquece
o lugar das coisas que não mais existem
tão bonito quanto triste será
o voo alçado no espelho
o bolso pesado de dores.
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