Vestígios da solidão



Em cada rabisco de silêncio desenho
Um lamento tão arbitrário, tão solitário
Ali sucumbe cada eco faminto, subtil e autoritário

Esta brisa audaz e tranquilizante ameniza
Todos os vestígios de solidão mais desguarnecida
Esfacelando cada hora fenecendo tão enfurecida

Ancoradas no leito do tempo vadiam emoções
Emudecidas por um aguaceiro de beijos enternecidos
Embebedam-se em gotas deste amor sempre apetecido

Nesta doce terapia de ilusões apaixonantes cada
Palavra decifra e gratifica todos os corações flamejantes
Resvala em silêncio num mar de lágrimas amiúde tão suplicantes

Frederico de Castro
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