INTEGRALMENTE
Houve um tempo
Em que envenenei meus próprios versos
Com a pretensão de fazê-los belos e leves,
Para que me não julgassem tão triste.
Para que me julgassem sublime e primoroso.
Para vencer troféus e prêmios em dinheiro.
Entanto, a beleza fabricada
Sempre me doeu muito melancolicamente,
Através da consciência da lírica falsa...
E por diversas vezes fiquei serenamente triste,
Tendo, aos ouvidos, os regozijos inocentes
E, às palmas, os plásticos gelados dos troféus.
Hoje, não mais.
Não me vale.
Não há pretensão que valha a verdade.
Não há insinceridade que valha um verso.
Se me tiver que doer
(Ou a quem quer que seja),
A minha poesia,
Pois bem. Pois que doa.
Mas que seja ao menos a dor do verossímil;
Ou a dor que se deriva
Do esforço imperfeito e desesperado
De elucidar em palavras limitadas
A abstração das coisas imensas.
Se assim for, aceito viver a dor
Da poesia integral.
Belo, feio, triste, alegre, bom, mau, apreciado, repugnado...
Não mais que atributos secundários
Ao que verdadeiramente me interessa:
A consciência de ser autêntico
– A mesma que um dia cantou Aninha, sabiamente.
Em que envenenei meus próprios versos
Com a pretensão de fazê-los belos e leves,
Para que me não julgassem tão triste.
Para que me julgassem sublime e primoroso.
Para vencer troféus e prêmios em dinheiro.
Entanto, a beleza fabricada
Sempre me doeu muito melancolicamente,
Através da consciência da lírica falsa...
E por diversas vezes fiquei serenamente triste,
Tendo, aos ouvidos, os regozijos inocentes
E, às palmas, os plásticos gelados dos troféus.
Hoje, não mais.
Não me vale.
Não há pretensão que valha a verdade.
Não há insinceridade que valha um verso.
Se me tiver que doer
(Ou a quem quer que seja),
A minha poesia,
Pois bem. Pois que doa.
Mas que seja ao menos a dor do verossímil;
Ou a dor que se deriva
Do esforço imperfeito e desesperado
De elucidar em palavras limitadas
A abstração das coisas imensas.
Se assim for, aceito viver a dor
Da poesia integral.
Belo, feio, triste, alegre, bom, mau, apreciado, repugnado...
Não mais que atributos secundários
Ao que verdadeiramente me interessa:
A consciência de ser autêntico
– A mesma que um dia cantou Aninha, sabiamente.
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