No alto da ladeira de pedra

cadeira, óculos, agulha...

 

no alto da ladeira de pedra,

vô Quirola remenda

as redes de pesca.


enganchos e tarrafas

do tempo, saudade é linha

que me abrange.


não me desprendo do pé

de amêndoa, campo-santo

dos meus ascendentes.


dormem aqui os peixes

nas cabaças, os pés

de puerícia, o balé

das petecas...

todos os meus cavalos

de palha.

*Poema do livro No alto da ladeira de pedra, Editora Patuá, 2017. 
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