Passos Famintos
Enquanto te ouço nas penas suaves da música
pesam-me os passos famintos de paz. Vagueiam
na aridez de um deserto onde a beleza das dunas
escondem o descanso da areia que adormece na
mansidão da terra.
Despejam-se junto aos detritos arrastados por
correntes, na tempestade das tormentas.
Vagabundeiam pelo cimento estéril onde nada
lhes sorri.
Levanta-te, irmão, penetra no bosque e ouve o gorjeio
dos pássaros numa melodia oferecida só para ti.
Senta-te à sombra dos sobreiros e acalma o teu
pensamento matando a tua fome de paz.
Segue o voo plano das águias na liberdade do
espaço sem fronteiras, sem pólvora, sem canhões
e no teu grito, traz a luz no relâmpago dos trovões
Manuela Barroso - “Luminescências”
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