CÉUS DE OUTONO

Amanhecemos, e este céu não amanhece!
As ruas frias, hoje mudas e desertas
viraram páginas despidas e amarelas
de um livro solto ao vento que se esquece!
A brisa e chuva nos aguardam noite afora
Minhas pisadas entre folhas não se perdem
Sigo o poente da estação que já fenece
- É o verão que se despede e vai embora!
E tal as folhas, jaz meu coração sem dono
buscando abrigo que me aqueça e embale o sono
perdido ao léu, no descaminho de ilusões.
Se me perguntas: por que rir deste abandono?
Eis que confesso: Dentre todas estações
a estação que mais te lembra é o outono!
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