Medianeiras
O concreto imutável e sólido das casas, dos prédios e dos arranhasóis, nos tornam liquidos e maleáveis.
Os fios que ligam as csas nos desligam uns dos outros internamente.
E ainda nos impedem de ver o céu.
Os carros e automóveis distraidos e imparáveis nos tornam estáticos.
E ainda corrompem nossos pulmões.
A rua escura da noite mórbida de segunda feira, nos faz pensar e ter senssações frias.
Por que é frio.
Devia ser fogo.
Deviam ser velas e não luz.
Devia ser corpo a corpo e não dedo na tecla.
Estranha, chata, gradativa.
E eu a teclo.
Pra falar com aquele moço desconhecido, apesar de tão familiar.
Por que estamos na era do concreto na liquidez.
Na era do amor virtual.
Dos fios tapando as estrelas.
Do frio que não se faz fogo, nunca e sempre.
E de repente já é amanhã.
E depois, e depois.
E então é o outro ano.
E eu digo adeus a mim.
Olho, pela luz da janela, que não é vela e que meu queima meus olhos.
E vejo homem de blusa listrada, aquele que eu sempre procurei no meu livro de cidades povoadas.
E então corro.
Corro, pois meu peio arde, brilha e queima para que eu corra.
Asim que o vejo, a explosão de cronos se torna real.
Pois o tempo se interrompe.
( texto inspirado no filme medianeiras.)
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