EROS II
Sabíamos mutuamente, amor:
Nenhuma ternura havia em nosso enlace.
Nada, senão a frágil carne sem pudor,
Sob o escuro do quarto, num disfarce.
De antemão, sabíamos do torpor
Que deveria haver em nossas faces.
Não me amaste. Mas... Deste desamor,
Confesso-te: desejei que me amasses.
Foi num instante em que te vi, e sangrei...
Vi-te olhos, alma; e em te buscar, teimei,
Sabendo já que estavas decidida...
E ao meu coração restou o vão açoite,
Pois sei que a tive somente uma noite,
E tu me tens e terás toda a vida...
Nenhuma ternura havia em nosso enlace.
Nada, senão a frágil carne sem pudor,
Sob o escuro do quarto, num disfarce.
De antemão, sabíamos do torpor
Que deveria haver em nossas faces.
Não me amaste. Mas... Deste desamor,
Confesso-te: desejei que me amasses.
Foi num instante em que te vi, e sangrei...
Vi-te olhos, alma; e em te buscar, teimei,
Sabendo já que estavas decidida...
E ao meu coração restou o vão açoite,
Pois sei que a tive somente uma noite,
E tu me tens e terás toda a vida...
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