COMO EXPLICAR IMAGENS A UMA LEBRE MORTA

Marcas, sempre aquém
ou além do ponto onde se olha.

Ela pergunta se toda sua vida
não se apoiara sobre um acidente
do corpo,
sobre signos
indecifráveis espalhados pelo corpo,
não tatuagens
ou a visão que se desdobra
a partir de um defeito,
mas traços precisos,
aquilo que atinge o olho
de frente e faz descobrir
o que ainda não se tem,
estilhaços dados pelo corpo,
como se fosse a última vez
que ele cessasse de queimar
e um acidente desfizesse
o que nenhum
acidente teria bastado para fazer.

A própria mudez do que seria.
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