Isso de alma gêmea é um negócio estranho. Você passa a vida toda procurando a bendita por todo canto.
Olha debaixo do tapete de tricô da sala, todo furadinho e permeável. Levanta uma poeira toda na caçada. Confere dentro dos bolsos da calça jeans de sexta-feira, dentro da carteira e nada. Arreda (que inclusive descobri que essa palavra só a gente mineiro usa!!!!) os móveis de lugar pra olhar atrás. O
nos dvds e na caixa de fotos que sempre tem em guarda-roupa de mãe. Essa andança é contínua, não deram previsão de ter fim por sinal. Vai ver a alma gêmea nem é gêmea, ou sequer quer ser encontrada. Imagina só dar de cara com o amor da sua vida e ele já ser o amor da vida de outra pessoa. Essa busca que só Deus sabe onde é o meio e o fim encontrou até o que não devia ser encontrado. Mas esse tempo todo ela tava lá no banheiro na sua frente todo dia quando você vai escovar os dentes e respinga tudo, tá no retrovisor, no vidro escuro do carro pelo qual você passa na rua.
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