o que tenho a dizer-te
O que tenho a dizer-te
É de tal modo imenso
Que não poderia caber
Em dez
Ou em doze
Ou em quinze
Sílabas poéticas.
O que tenho a dizer-te
É de tal modo humilde
Que também não poderia caber
Em infinitas e frondosas
Sílabas poéticas,
Ou nas mais irregulares odes.
O que tenho a dizer-te,
Não caberia em formas,
Não caberia em rimas,
Não caberia na minha voz patética,
Não caberia nos meus gestos idealizados.
Sequer em mim.
O que tenho a dizer-te,
– O que sinto que tenho a dizer-te –
Inunda-me na forma de um soluço
De ternura incompreensível,
Que saltita do fundo do peito
E tropeça em um riso lacrimado.
O que sinto que tenho a dizer-te
É o que nunca te poderei dizer.
É um corte profundo
Costurado em nosso enlace
De impossível contrição.
É a mais saborosa das dores da minha alma.
E é inexprimível,
Assim como as cores essenciais.
É de tal modo imenso
Que não poderia caber
Em dez
Ou em doze
Ou em quinze
Sílabas poéticas.
O que tenho a dizer-te
É de tal modo humilde
Que também não poderia caber
Em infinitas e frondosas
Sílabas poéticas,
Ou nas mais irregulares odes.
O que tenho a dizer-te,
Não caberia em formas,
Não caberia em rimas,
Não caberia na minha voz patética,
Não caberia nos meus gestos idealizados.
Sequer em mim.
O que tenho a dizer-te,
– O que sinto que tenho a dizer-te –
Inunda-me na forma de um soluço
De ternura incompreensível,
Que saltita do fundo do peito
E tropeça em um riso lacrimado.
O que sinto que tenho a dizer-te
É o que nunca te poderei dizer.
É um corte profundo
Costurado em nosso enlace
De impossível contrição.
É a mais saborosa das dores da minha alma.
E é inexprimível,
Assim como as cores essenciais.
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