Transmutação
Chamam de amor o que é dor, um deserto na alma
A nossa metade ausente.
Pedras secas queimadas ao sol num caminho solitário,
Chutadas, fazendo-se poeira, a única companheira!
Chamam de amor a lágrima fria que rola na noite eterna
Repleta de estrelas mudas e sem manhãs,
Não há manhãs para os que amam
As manhãs são dos amados!
Chamam de amor o tempo vazio da espera
Nos ciclos infinitos dos ponteiros,
Tique-taques sombrios ecoando no espaço,
Nos badalares mórbidos dos sinos das cidades abandonadas
E o que puxa a corda sou eu,
Solitário fantasma de uma igreja sem fiéis!
Tiro a poeira do Jesus crucificado,
Faço novamente azul o manto amarelado da triste Virgem!
Estátuas gélidas a me observarem...
Conto as penas das asas de Miguel
Para não sentir o tempo que me separa
Do que é o amor em mim agora.
E na nudez dessas pedras há uma vibração angelical
Manifestada em cores, prana, pombas brancas
Na abóboda dessa igreja.
Descem pelos raios do sol e se irradiam, invadindo-me...
Sinto-me inflamar, crescer!
As estátuas tomam vida
Não são mais tristes figuras de um tempo longe, esquecidas!
Sorriem
Vejo luz, muita luz,
Sinto alegria, muita alegria,
Tenho paz, muita paz!
Cristo larga a cruz e me estende a mão
Maria também sorri e deposita seu manto em meus braços,
Miguel aponta sua espada
Dirigindo o meu olhar ao último banco da igreja...
E te vejo ali, sentado, sereno, conhecedor dessas transmutações
Dos que, como eu, buscavam o real nas ilusões,
Naquilo a que chamam amor!
A nossa metade ausente.
Pedras secas queimadas ao sol num caminho solitário,
Chutadas, fazendo-se poeira, a única companheira!
Chamam de amor a lágrima fria que rola na noite eterna
Repleta de estrelas mudas e sem manhãs,
Não há manhãs para os que amam
As manhãs são dos amados!
Chamam de amor o tempo vazio da espera
Nos ciclos infinitos dos ponteiros,
Tique-taques sombrios ecoando no espaço,
Nos badalares mórbidos dos sinos das cidades abandonadas
E o que puxa a corda sou eu,
Solitário fantasma de uma igreja sem fiéis!
Tiro a poeira do Jesus crucificado,
Faço novamente azul o manto amarelado da triste Virgem!
Estátuas gélidas a me observarem...
Conto as penas das asas de Miguel
Para não sentir o tempo que me separa
Do que é o amor em mim agora.
E na nudez dessas pedras há uma vibração angelical
Manifestada em cores, prana, pombas brancas
Na abóboda dessa igreja.
Descem pelos raios do sol e se irradiam, invadindo-me...
Sinto-me inflamar, crescer!
As estátuas tomam vida
Não são mais tristes figuras de um tempo longe, esquecidas!
Sorriem
Vejo luz, muita luz,
Sinto alegria, muita alegria,
Tenho paz, muita paz!
Cristo larga a cruz e me estende a mão
Maria também sorri e deposita seu manto em meus braços,
Miguel aponta sua espada
Dirigindo o meu olhar ao último banco da igreja...
E te vejo ali, sentado, sereno, conhecedor dessas transmutações
Dos que, como eu, buscavam o real nas ilusões,
Naquilo a que chamam amor!
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