Cem dias de solidão

Fragmentos de ecos assustadores ameaçam este silêncio
Pandémico, invisível, aniquilador e ferozmente inquisidor
Deixaram um vírus à solta naufragando neste tempo demolidor
Ouço uma turba de lamentos a choramingar desaventurados
A solidão prostrada tenebrosa e absolutamente assombrosa
Debilita a fronteira entre a vida e a morte chegando em polvorosa
No leito engelhado e enfermo alimentam-se cem dias de solidão
Queixa-se uma minúscula esperança ainda a soar beligerante
Jaz entre os lençóis desalentados deste silêncio tão dissonante
Frederico de Castro
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