VENTANIAS

                              Paulo Sérgio Rosseto

Tão fraca essa chuva desacompanhada de vento
Proveio certamente de alguma nuvem dispersa
Fugidia da madrugada de alguma noite sem graça
Estanque sobre o telhado acima da minha cabeça

Não que não mereça que meu derredor se molhe
Com essa calmaria própria dos bem-aventurados
Porém estou acostumado a solavancos constantes
Tanto que me estranha tamanha bonança repentina

Sou eu afeito de trovões e ventanias da montanha
Que sacolejam e soçobram insanos restolhos de asas
Absurdamente inconstantes entre abas e serpentinas

Ousaria dizer que minha casa é de pedra incólume bruta
Plantada sobre sólidos e poderosos alicerces da lida
Mas oh - despreparada à suave nudez de uma brisa!

@psrosseto
www.psrosseto.com.br

164 Visualizações

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.