PERDER-SE NO CEGO AMOR

              Paulo Sérgio Rosseto

O amor sempre acaba na hora incerta
Como botijão que seca no fazer do almoço
Como água que falta em meio ao banho
Net que falha na transação do boleto
E Deus que ignora fazendo-se moco

Em resumo nada mais estranho eu
Nem acho ser desprezo a chama que apaga
Nem relaxo a omissão em lavar-se
Ou pretexto deixar de quitar a dívida
Ou Deus postar-se indiferente e tolo

Porém o amor esvair-se não perdoo
Quisera que voltasse acondicionado
Em cápsulas compactas ou compressas
Ou que o usássemos como pomada
Para cicatrizar tantas fissuras abertas

Quisera que o amor fosse ainda pano
E suportasse os ventos loucos nas velas
Sem importar-se com a textura do tecido
E as tatuagens riscadas nas rusgas da pele
Falseada pelos tantos tempos idos

E que não pudéssemos enganar-nos da perda
Dilaceradora da alma putrefata moída
Sendo assim desenganar-se da própria dor sofrida
Ao sustentar que amar é o maior dom da vida
Retrataria perder-se no cego amor seria merda

www.psrosseto.com.br

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