Fera
Face a face com esta fera estufada
de unhas afiadas, pelo eriçado,
cara a cara.
Veio na dança estéril de uma noite,
na traição da sombra do dia.
Respirei seu hálito pestífero,
sua pata pesou sobre meu peito
e imprimiu-me afeição à morte.
Dei-lhe de comer um pedaço
depois devorou meus objetos diretos,
todos os meus bens, quereres e estar.
Cedi outras partes, o anelar, o apontar,
o curtir do polegar.
Comeu minha medula,
triturou com os dentes meus sonhos,
minha quimera e a Hidra do ciúme.
Depois que mais nada havia
a fera devorou o tutano dos meus versos
e enquanto o amor morria,
debaixo do olhar triste do sol,
a fera comeu toda minha poesia, meus restos.
Sem esperanças, sem desesperos,
sem o gosto do açúcar, sem o sabor do sal,
sem amor e sem mundo, sem o bem nem o mal
à fera não ofereço mais nada
e dou-me ao sono profundo
em seu colo maternal.
de unhas afiadas, pelo eriçado,
cara a cara.
Veio na dança estéril de uma noite,
na traição da sombra do dia.
Respirei seu hálito pestífero,
sua pata pesou sobre meu peito
e imprimiu-me afeição à morte.
Dei-lhe de comer um pedaço
depois devorou meus objetos diretos,
todos os meus bens, quereres e estar.
Cedi outras partes, o anelar, o apontar,
o curtir do polegar.
Comeu minha medula,
triturou com os dentes meus sonhos,
minha quimera e a Hidra do ciúme.
Depois que mais nada havia
a fera devorou o tutano dos meus versos
e enquanto o amor morria,
debaixo do olhar triste do sol,
a fera comeu toda minha poesia, meus restos.
Sem esperanças, sem desesperos,
sem o gosto do açúcar, sem o sabor do sal,
sem amor e sem mundo, sem o bem nem o mal
à fera não ofereço mais nada
e dou-me ao sono profundo
em seu colo maternal.
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