valsa fria
A madrugada feita de chuva
deixa rastros na janela
diante dos meus olhos hirtos.
E em cada gesto
de cada gota
dança uma abstrata figura
talhada em mármore de sonho.
E tanto dança a grácil figura
que parece me invitar
a também chover
para ser dela par
em aquosa valsa.
E tanto rodopia a melancolia
que as telhas das casas tornam-se teclas
e as calhas das casas tornam-se cordas
e a madrugada torna-se sinfonia
quebrando angústias
em quase prantos.
E tanto, tanto dança...
tanto dança que me dói.
Mas afinal, quem é?
Seria ela qualquer coisa como a vida?
Seria ela qualquer coisa como a poesia?
Seria ela a redentora de todas as madrugadas
que trespassadas feito flechas
vararam, de um lado ao outro, o meu coração?
Seria ela uma centelha de ilusão?...
Não choro.
Não vou.
Não chovo.
E não danço...
Aflito, fito, calo e penso,
madrugada afora e adentro,
e tudo dança e morre a sós, no meu peito.
deixa rastros na janela
diante dos meus olhos hirtos.
E em cada gesto
de cada gota
dança uma abstrata figura
talhada em mármore de sonho.
E tanto dança a grácil figura
que parece me invitar
a também chover
para ser dela par
em aquosa valsa.
E tanto rodopia a melancolia
que as telhas das casas tornam-se teclas
e as calhas das casas tornam-se cordas
e a madrugada torna-se sinfonia
quebrando angústias
em quase prantos.
E tanto, tanto dança...
tanto dança que me dói.
Mas afinal, quem é?
Seria ela qualquer coisa como a vida?
Seria ela qualquer coisa como a poesia?
Seria ela a redentora de todas as madrugadas
que trespassadas feito flechas
vararam, de um lado ao outro, o meu coração?
Seria ela uma centelha de ilusão?...
Não choro.
Não vou.
Não chovo.
E não danço...
Aflito, fito, calo e penso,
madrugada afora e adentro,
e tudo dança e morre a sós, no meu peito.
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