O vômito
ॐ Hoje eu vomitei palavras,
Letra por letra,
Sílaba após sílaba,
Palavras e mais palavras,
Fonemas, granados e gemidos estranhos,
Sem coerência, nem coesão suficiente
Para que o mundo exterior ao meu redor pudesse entender.
Acadêmicos até tentaram especular,
Ou melhor, qualificar,
O conteúdo exposto em minha bile,
Com seus termos científicos e (pré-)julgamentos pessoais, todos em vão.
Eu expeli tudo que retive,
O remanescente,
O evanescente
E a nascente de rio que mantive em segredo no meu antro, agora já oco.
Regurgitei, até mesmo, o que viria de incerto no enigmático futuro.
Sem alívios...
Tenha certeza disto...
Isto estava a romper as minhas cordas vocais.
Eu expurguei todo o Caos de meu íntimo
Até chegar ao ponto final de minh’alma,
O período em que me afoguei em exclamações, desculpas e duvidosas mágoas
Que não mais liquefazem-se em poesias,
E, nem ao menos permitem-me deleitar minha visão
No translúcido reflexo meu
Nessa miscigenada poça de lágrimas, lamurias e vômito verbalizado. ॐ
Poema “O vômito” da coleção “O poder da Ansiedade e o reflexo do corpo”, por Niaxe Augusto. ॐ
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