Tropeços de nós
Tropeços com as palavras
nos assustam e nos compõem
O pensamento que nos parece liberto
num lapso freia
Estarrece bruscamente
E eis que aquela eloquência
se embaraça na mente
O chão move-se
As certezas desmoronam
Nos reviramos ao avesso
para dar conta de algo
que nos parece a morte
O pensamento aniquilado
navega em águas turvas
Recolhe-se na escuridão
Como salvá-lo de tantas sandices?
Pensar, pensar, pensar?
Saem faiscas desse hiato
situado entre a fala e o silêncio
Há em nós algo que nos une
e nos separa, em fragmentos
Desde a Grécia Antiga
O pensar se revela
em abstrações e epistemes
O todo e a parte
o ser e o outro
A matéria e as representações
E nós?
Como juntarmos esses pedaços a nós somados em idealizações?
Qual é a verdade? A nossa verdade?
O tempo de cada um trará respostas
Aos que se permitirem
Melhor é não ser !
João pessoa, 22 de maio de 2020.
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