Por um momento, tivemos que mudar bruscamente.

Tivemos que tentar nos adaptar, utilizar mais a tecnologia, abrir nossos lares para as câmeras e focar nas telas do computador.

Alguns, tímidos, sentiam-se desarrumados, como se estivessem na TV; receosos diante de cliques desconhecidos, processavam simultaneamente aula, cozinha, banheiro, sala e comida.

Tudo isso traduzia o nosso momento.

Mas as mudanças nos fazem crescer. Fazem-nos pensar no quanto estávamos acomodados, no quanto ainda temos que caminhar e nos aproximar.

Ora solitários, ora sob os holofotes; ora correndo atrás do transporte público, ora molhando a garganta para começar a aula.

Muitas vezes, voltávamos cansados do trabalho. Em casa, com os olhos dilatados, queríamos apenas relaxar e, talvez, tomar um bom vinho antes do sono.

Assim, seguíamos na esperança de que... de que... ah, será?

                                 Valdemar Júnior
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