O PERDÃO NATURAL
Houve um tempo em que tudo era fantástico, eu não sabia que existia um mundo cruel, andava nu e não conhecia o pecado, não havia em mim a faculdade de compreender o poder das palavras tanto para abençoar quanto para amaldiçoar. Não havia em mim nenhuma maldade. Foi assim a nossa fase de criança. Quando se me abriram os olhos e vi, quando doeu na minha pele e senti foi quando descobri os sentimentos que antes não endureciam o meu coração: a angústia, a dor, o ódio, a raiva, a mágoa e tantos outros que batalham dentro de nós querendo se sobreporem àqueles que são essenciais para o bem. Mesmo dentro de um lar hostil uma criança não tem a capacidade, nem a tendência à maldade devido a inocência do seu coração, pode até ficar agressiva, mas não é a regra. Como é difícil aceitar as ofensas como uma criança inocente, que na maioria das vezes nem chega a receber um pedido de perdão.
Erimar Lopes.
Erimar Lopes.
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