Amor que se ofusca
Tantas as marés que nos escapam
Ao olhar, ao olfacto, ao tacto.
Deambulam-se em sonhos breves
Entre brumas renascidas dos nenhures do mundo.
Como evocamos no espírito um cheiro nostálgico
De um cozinhado típico
Por aqueles que já não são mais que pensamento,
Ou de um perfume que nos era querido,
Assim nos dão por cortesia as marés.
Os seus aromas efémeros,
As suas vertiginosas fantasias
De sereias enigmáticas,
Entoando sonhos adágios
Onde se perscruta as profundezas
De um Albinoni dadivoso e divino.
Onde monstros agrestes
Balançam os barcos
De encontro a Caronte
Que levar-nos-á,
Para a outra margem.
Se não fosse a pacificidade
De uma onda que nos restaura
A vida e a esperança.
A verdade é que nem tudo são flores pitorescas,
Caixoteiros de boa fé,
Vendendo fruta por tuta-e-meia.
Erva que nos ampara a queda
E mar que com a brisa nos envolve.
As flores murchas, espezinhadas
E da cor da morte,
São também reais.
É de igual vitalidade coexistir com elas
Conhecer seu cheiro tenebroso,
Ferrar-nos com seus espinhos da infâmia.
Deixarmo-nos guiar por obscuras nuvens
Até ao desespero.
Findarmo-nos nas cavernas sequiosas
Dos nosso piores fantasmas.
Que mais posso dizer do nosso amor.
Há-de voltar, quando a primavera ressurgir.
E a nós — a nós meu amor —
basta-nos,
Como aos homens de Platão,
Despontar dessas cavernas
Que nos ofuscam.
Ao olhar, ao olfacto, ao tacto.
Deambulam-se em sonhos breves
Entre brumas renascidas dos nenhures do mundo.
Como evocamos no espírito um cheiro nostálgico
De um cozinhado típico
Por aqueles que já não são mais que pensamento,
Ou de um perfume que nos era querido,
Assim nos dão por cortesia as marés.
Os seus aromas efémeros,
As suas vertiginosas fantasias
De sereias enigmáticas,
Entoando sonhos adágios
Onde se perscruta as profundezas
De um Albinoni dadivoso e divino.
Onde monstros agrestes
Balançam os barcos
De encontro a Caronte
Que levar-nos-á,
Para a outra margem.
Se não fosse a pacificidade
De uma onda que nos restaura
A vida e a esperança.
A verdade é que nem tudo são flores pitorescas,
Caixoteiros de boa fé,
Vendendo fruta por tuta-e-meia.
Erva que nos ampara a queda
E mar que com a brisa nos envolve.
As flores murchas, espezinhadas
E da cor da morte,
São também reais.
É de igual vitalidade coexistir com elas
Conhecer seu cheiro tenebroso,
Ferrar-nos com seus espinhos da infâmia.
Deixarmo-nos guiar por obscuras nuvens
Até ao desespero.
Findarmo-nos nas cavernas sequiosas
Dos nosso piores fantasmas.
Que mais posso dizer do nosso amor.
Há-de voltar, quando a primavera ressurgir.
E a nós — a nós meu amor —
basta-nos,
Como aos homens de Platão,
Despontar dessas cavernas
Que nos ofuscam.
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