Pandemia desde quando?
eu nasci em 1993. desde então, vivo em estado de calamidade pública. nunca teve leito pra mim, minha mãe nem pôde me amamentar. tem tempos que me falta o ar, que me ardem as têmporas. em pé no vagão lotado, eu nunca consegui respirar. nada de novo há no rugir das tempestades, uma doença realmente infectou todos os povos e isso aconteceu mais de quinhentos anos atrás, foi aí que tudo mudou. Você foi diagnosticado com Capitalismus Modernus-15, a doença do egoísmo, da acumulação do capital, da mais valia enchendo o bolso do patrão, das jornadas de trabalho desumanas, das várias formas de escravidão. a palavra já não aguenta mais caber. em busca de ar, se joga do abismo. passo dado, o futuro também é torto, tão torto quanto o mar e a História contada nos livros. se fome fosse vírus, quando seriam adotadas as tais “medidas excepcionais à racionalização dos serviços públicos”? ou essas são medidas emergenciais para a manutenção do status quo? o mínimo para manter a bolha e “descartar o excedente”. Me vejo só, virando verbo passo o tempo e já não tem nenhum abrigo. Conto os mortos, conto os dias, penso se ainda existo.
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Missy my love
Missy my love You are the sunshine I am happy that we love Each other Missy you give me Lots of kisses Sweater than honey Also dad You pl…
Aldo gabbay kraas
O Orvalho.
O Orvalho que nesta madrugada caem sobre esta terra ... é para renovar a reprodução de todas as sementes - de todas as espécies que irã…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Palma zunkha
Deixa que o amor e o impulso
falem mais alto, ou melhor,
cantem por nós o que tiver
de ser cantado sem se preocupar
com o q…
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Sapucaia
É inverno, estamos em julho,
sem flor e nenhum fruto.
Enquanto a querida sapucaia
repousa tranquila na praça,
O charme da mi…
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski