Cem silêncios

Tantos milimétricos ecos escondem-se ao redor
Das palavras cúmplices platónicas e simétricas
São cem silêncios acudindo rimas tão periféricas
A um quilómetro da solidão estagna a vida
Ante ontem tão radiante, hoje inconsumível e viciante
No presente, tão vibrante, no futuro absurdamente excitante
Vestida de breus emergentes, frementes e ofegantes
Chega a esperança trajada de caricias quase latejantes
Deixam tantos eruptivos sentidos a gracejar tão pujantes
Cem silêncios abarrotaram a memória em polvorosa
Subtraíram da saudade uma prece incondicional e airosa
Dividiram a tristeza que agora se dissipa muito mais generosa
Frederico de Castro
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