Arco dos silêncios

Pessoal e intransmissível, a solidão dissolve-se
Ao longo do riacho fluindo combalido e penitente
Deixa um ferrenho e tirano eco balir tão potente
Sob o arco dos silêncios paira o tempo incomunicável
Alenta a manhã pousada numa lágrima quase intocável
Suicida-se empolgada por este lírico verso tão irreplicável
Na esbelta sintaxe de bárbaros vocábulos inexplicáveis
Enamora-se a vida palpitando por palavras aplacáveis
Ali se alimentam tantos, tantos alcalóides silêncios erradicáveis
Frederico de Castro
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