Se trevas sou e a febre que mais arde,
És cura;
Se sou maturidade que vem tarde,
És pera;
Se sou no meu quadrado tão covarde,
És fera;
Se peixe fora d'água sou, nos lagos,
És cama;
Se escasso sou na falta dos afagos,
És toque
E, se à deriva sou conceitos vagos,
És croque;
Se fogo sou, contido numa tocha,
És palha!
Se sou os pés que galgam esta rocha,
És calo;
Se sou botão que mudo desabrocha,
És talo;
Se sou demora que te cale, agrida,
És pressa!
Se sou todas as mortes da ferida,
És uma;
Se sou feroz na poça poluída,
És puma;
Se pombo sou que se cansou do voo:
És pouso;
Se cheio de secreta culpa sou,
És pia;
Se sou a confusão que me enfunou,
És guia;
Se sou grilhões e cela e lá sou preso,
És passo;
Se sou profundidade triste e peso,
És alta;
Se sou sem brilho e cor, não sou aceso,
És malta;
Se luto sou, sem choro de consolo,
És gota;
Se nunca sou de nada, sempre tolo,
És tudo;
Se sou um peito nu, se posso espô-lo,
Escudo!
Se estrada sou até o imundo caos,
És carro;
Se sou abaixo todos os degraus,
És cada
E, se indefeso sou nos dias maus,
Espada!
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 17/08/2020)
És cura;
Se sou maturidade que vem tarde,
És pera;
Se sou no meu quadrado tão covarde,
És fera;
Se peixe fora d'água sou, nos lagos,
És cama;
Se escasso sou na falta dos afagos,
És toque
E, se à deriva sou conceitos vagos,
És croque;
Se fogo sou, contido numa tocha,
És palha!
Se sou os pés que galgam esta rocha,
És calo;
Se sou botão que mudo desabrocha,
És talo;
Se sou demora que te cale, agrida,
És pressa!
Se sou todas as mortes da ferida,
És uma;
Se sou feroz na poça poluída,
És puma;
Se pombo sou que se cansou do voo:
És pouso;
Se cheio de secreta culpa sou,
És pia;
Se sou a confusão que me enfunou,
És guia;
Se sou grilhões e cela e lá sou preso,
És passo;
Se sou profundidade triste e peso,
És alta;
Se sou sem brilho e cor, não sou aceso,
És malta;
Se luto sou, sem choro de consolo,
És gota;
Se nunca sou de nada, sempre tolo,
És tudo;
Se sou um peito nu, se posso espô-lo,
Escudo!
Se estrada sou até o imundo caos,
És carro;
Se sou abaixo todos os degraus,
És cada
E, se indefeso sou nos dias maus,
Espada!
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 17/08/2020)
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