Meninas e Mulheres
Casa abrigo, proteçao? Lá não é um lar
A louça sagrada da ceia estilhaçada
A cama, repouso do corpo-território devastado.
Forçada ao ato- maus-tratos
Corpo febril marcado por insultos
No surto normal
Invasão, violação do corpo.
Estado- família desproteçao.
Silêncio o refrão
Do grito abafado
Do porão.
Na cavidade uterina não comportando outro ser.
Restos de corpos
Sequestro da pureza e inocência da menina.
O corpo sangrando, doído
Marcado a golpes o perverso à espreita.
Medo, pavor, horror
Vertigem de dor.
Escuro é o dia
Noites claras sem ser dia de verão,
Inverno são os dias
Chove na face entristecida
Purifica as marcas doídas do tempo e da dor.
Antonia K
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