A mente perpassa ao largo do compasso.

O sonho diariamente adquire a cromática do cadáver:

A vida, a cada queda de ravina,

Fica mais intensamente circunscrita.

O onipotente penedo de ontem,

Agora célere e definitivamente se liquidifica:

Os arrebóis da esperança se descorporificam,

Convertendo-se em estafetas do paraíso da Ruína.

A paz cai nas garras

Da areia movediça:

Planeta onde o sangue

Que irrompe dos moribundos corpos

Vira miríades do aurífero petróleo.

Ah, eu queria morar no iracundo remanso

Qual era a têmpera, a voz e a Verve do Poeta de Itabira:

Talhar os versos que componho

Com a lâmina da sabiamente Lírica eloquência abrasiva,

Florescida da sua singeleza funda e ferina:

Pois só assim eu cravaria a minha lira

No coração da desertificação da vulcânica fluência dos dias.

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

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