Do verso em razões
antigo
meu verso não diz mais
do que eu consigo
é que dizê-lo tanto
é mais indício
de que a palavra é sempre
um precipício
onde descambam verbos
e infinitos
contrito
meu verso nunca é mais
do que eu digo
é que lhe falta o jeito
e a prática
de ser mais explícito
coisa de ser palavra
que diga mais
do que é preciso
baldio
meu verso inaugura
espaços e tempos
e nem cuida
das permanências da vida
e das distâncias da rua
antes é mais avulso
que as primaveras
um tempo incontido
de descuidos e esperas
invicto
meu verso derrota
as mágoas que entorno
em minhas portas
como se fosse um vendaval
de verbos incontidos
que palmilhassem comigo
todos meus sentidos
transeunte
meu verso caminha
aos solavancos
como se fora um barco
num mar de espantos
navegante de si
adredemente se conjuga
aos gritos das praças
aos ruídos da luta
enfim, meu verso nunca é mais
do que eu digo
é que palavras só viajam
na constância dos sentidos.
meu verso não diz mais
do que eu consigo
é que dizê-lo tanto
é mais indício
de que a palavra é sempre
um precipício
onde descambam verbos
e infinitos
contrito
meu verso nunca é mais
do que eu digo
é que lhe falta o jeito
e a prática
de ser mais explícito
coisa de ser palavra
que diga mais
do que é preciso
baldio
meu verso inaugura
espaços e tempos
e nem cuida
das permanências da vida
e das distâncias da rua
antes é mais avulso
que as primaveras
um tempo incontido
de descuidos e esperas
invicto
meu verso derrota
as mágoas que entorno
em minhas portas
como se fosse um vendaval
de verbos incontidos
que palmilhassem comigo
todos meus sentidos
transeunte
meu verso caminha
aos solavancos
como se fora um barco
num mar de espantos
navegante de si
adredemente se conjuga
aos gritos das praças
aos ruídos da luta
enfim, meu verso nunca é mais
do que eu digo
é que palavras só viajam
na constância dos sentidos.
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