O despertar do poeta.
Ó poesia que me consola!
Tu és meu precioso remédio.
Para a doença, que como febre estiola.
A doença sem cura, a doença do meu tédio.
Ó poesia que me transforma!
Tu és minha máscara, minha solução.
A solução para o meu dilema.
Ver as coisas como elas são.
Ó poesia que me desperta!
Tu és mentira em que acredito.
De mim mesmo me liberta.
Me faz fingir o que não sinto.
Ó poesia que me diverte!
Tu revives a minha inteligência.
Pois sou chato, preguiçoso e inerte.
Mas contra os versos, luto com persistência.
Ó poesia, encruzilhada em que passo.
E indeciso a esperar me ponho.
Numa estrada há a poesia que faço
E na outra a poesia que sonho.
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