A minha decepção é constante.
Ao som da chuva, luto enclausurado.
Murmuro palavrões decepcionado.
Olho para baixo, coluna arqueada.
Resmungo palavras aflito .
Encaro os versos do manuscrito.
Nada, nada e mais nada .
A cor branca já me entristece.
Seu contínuo vislumbre me adoece.
Rasgo a prova de minha incapacidade.
A folha branca, com um verso ou dois.
Que pensei um dia “continuo depois”.
Não continuo, esta é a verdade.
Este estranho desassossego vil.
Esta insônia inquietante e hostil
Por mais que eu esqueça a poesia.
A poesia não o faz comigo.
Resistir a ela, não consigo.
Sento e escrevo sem mostrar teimosia.
A inspiração é deveras impiedosa
A escrita é inconveniente e penosa.
Este impulso que me fustiga.
Que me tortura e inquieta.
É o impulso de ser poeta.
Mas a incompetência me castiga.
Meu poema é um sonho no calvário.
Preso na cruz de meu vocabulário
De versos é sua sede, e isto implora.
De revolta é o vinagre que lhe dão.
Ou melhor, que dá a minha mão.
Rasgo-o em fúria, mas recomeço outrora.
Neste progressivo vai e vem.
Escrever e apagar, persistir e desistir.
Faço versos enquanto existir.
A luta é constante, a decepção também
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