Os barulhos da minha casa .
Ecoam como em penhasco fundo.
Ofensas, injúrias e maus agouros.
São meus pais, aos quais escuto mudo.
Outro de seus conflitos duradouros.
Soam como ruídos quase inaudíveis.
Um conjunto de vozes abafadas.
Notícias e relatos impassíveis.
Roubos, mortes e jovens estupradas.
Soa como estalo, por vezes como um tiro.
Algum gato que corre apressado.
Por uma cópula ou por algum apuro.
Destrói, a cada passo, o meu telhado.
E, mais alto, minha mãe gritou.
As notícias agora não escuto.
O gato, de certo, que espantou.
Meu pai é identicamente bruto.
Peço a minha poesia humildemente.
Peço que ela venha a aflorar.
Peço o dom que me faz contente.
Que dom é este? O de ignorar.
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