FICO A PENSAR
Fico a pensar no balanço da rede e do vento no mar, no silêncio, na fome e na sede de quem vive a vagar, numa rede a descansar e nas naus os homens a pescar, fico a pensar no proveito do descanso e no suor a derramar, fico a pensar na aflição do preguiçoso e do labor em alto mar. O preguiçoso se aflige de preguiça e não se enfada, o laborioso se aflige de cansaço e se fadiga. Fico a pensar no que tem tudo isso, preguiça, um bocado aqui e ali, um cochilo, bocejos e sono profundo, a mão vazia à boca, o ventre vazio, vai-se umas horas, um dia e não fica moribundo.
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