Zumbi

Todo o planeta é agua
Líquido o corpo inteiro
Úmida sensação de molécula viscosa
Molhada à espera da ferrugem
Ressequido sal pela auréola da orla

Mas nada perde o viço
Ainda que deteriore o casco
Sempre haverá liga útil
Algo que se aprove e ensimesme
A qualquer tempo e hora
De zarpar ou abandonar o barco

Aparentemente a demora aborrece
Porém viajar nas horas é isso
Ir onde nem a correnteza ou o vento
Ousam sobrepujar o navio
Quando este mesmo sem lastro
Ostenta ainda que inerte
A imponência de um mastro

Sou crivado de prego arredio
Um bloco de pedra que anda
Entre a margem da onda e a areia calada
Filtrada no bueiro à margem da calçada
Fingindo ser o alicerce do prédio
Ou o remédio vencido que ainda cura

Talvez seja eu essa inválida estrutura
Sem rosto e sem alma
Mas que ainda assusta e acontece
Igual a uma sombra sem nexo
Margeando a beirada de um rio
Onde ao menos uma folha já seca
Despenca de qualquer altura
Esvoaça, rodopia e por fim
Do ardor do sol descansa


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