UTOPIA
Claudio Silveira
De fora da redoma eu vi um mundo escondido
onde as vidas não feridas, com casas repartidas
com pessoas não sofridas.
Eu vi crianças sem desespero,
brincando com apego
nas ruas de sossego
onde não eram agredidas.
Eu vi mulheres que não choravam
pois dos seus amores não apanhavam
filhas da consolação, amadas do perdão
senhoras da revolução.
Eu vi homens desarmados
tendo com o próximo o maior cuidado
almas não belicosas, com vidas cuidadosas
pessoas sem terror, das armas o amor
da guerra, o louvor.
Eu vi um mundo imaginário
eu vi uma redoma de ilusão,
bem mais bela que uma canção
mundo que amaria, de alma a sentiria
de mente a buscaria, de corpo e quereria
que no meu desespero de lucidez
não passou de utopia.
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