em torno do meu país
na favela
as balas vão
aquelas do coração
e as da guerra
na favela
chora-se em dobro
as lágrimas de pedra
e as do choro
líquidas
as últimas são mares
em que se afoga
a vida e seus pesares
sólidas
as de pedra
são os gritos de quem luta
melhor dizê-las verbos
pela rua suja
na favela
o poema se escreve
com o sangue e a vontade
de quem deve
poema em dobro
retroativo
que teima em ser de pedra
apesar dos sentidos
na favela
a palavra medra
como o sacrifício
semente que não plantada
pergunta que nem se diga
na favela
a morte habita
uma intimidade comedida
parente que nem seja íntima
da vida.
as balas vão
aquelas do coração
e as da guerra
na favela
chora-se em dobro
as lágrimas de pedra
e as do choro
líquidas
as últimas são mares
em que se afoga
a vida e seus pesares
sólidas
as de pedra
são os gritos de quem luta
melhor dizê-las verbos
pela rua suja
na favela
o poema se escreve
com o sangue e a vontade
de quem deve
poema em dobro
retroativo
que teima em ser de pedra
apesar dos sentidos
na favela
a palavra medra
como o sacrifício
semente que não plantada
pergunta que nem se diga
na favela
a morte habita
uma intimidade comedida
parente que nem seja íntima
da vida.
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