E nas longas noites
E nas longas noites, sobrava-lhe o tempo.
Para refletir, discernir, reviver, repensar e arrepender-se, talvez.
A vida passava impávida, célere e imutável.
O amanhã viria.
O amanhã viria.
Os raios de sol adentrariam pelas frestas da janela, e o espelho refletiria sua face.
Era certo.
No lençol liso, no travesseiro intocado, as marcas da solidão eram inexoráveis.
Cumpria-se o destino ou apenas desafiava-se o futuro?
Não existe decisão acertada quando o coração está corroído pela dor, ou inflado pelo amor.
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