Liturgia da Escrita
Liturgia da Escrita
Escrever é sempre um ato litúrgico
E cada um que crie o seu rito
Comparo escrever com a feitura de biscoitos
Escolho os ingredientes
conforme o que me faz falta
e misturo-os para sentir o sabor
Por fim dou a forma
Me apraz saborear o contéudo
e ver a forma !
As vezes faço coraçõezinhos, quadradinhos, rolinhos, bolinhas
Ao final brinco como criança !
Na escrita sigo a intuição
Parto de uma palavra, de uma paisagem, de um cheiro
As vezes há falta, as vezes há sobras
e haja lapidação: tira de lá, põe de cá
Nesse ínterim a imaginação vai longe
Gosto é de brincar com a ideia enquanto
visito lugares e pessoas
Vejo céus estrelados e os
mistérios do conto As mil e uma noites
Vejo mares extensos
Lembro até dos meus vestidos de laço na cintura
e das festas da padroeira da minha infância
Me vejo nas férias em Goiás
Vozes a cruzar
línguas e bocas a provar
explosões de alegrias, risos das minhas crianças
Escuto chuvas torrenciais e a famosa pergunta:
"- Cadê o veranico de janeiro?"
O cheiro morno de pão de queijo misturado com café enche a casa
Coisas da Dona Maria !
Tudo isso me inspira na escrita e me faz
recorrer à memoria, aos sons, letras e linguagens
Os dicionários me auxiliam num percurso que vai do desejo ao dito.
Um dia ainda saberei expressar com maestria esse oceano em que mergulho e que me encanta, mas que ao escrever nunca atravesso por inteiro.
Sinto que essa aventura me traz ventura e por isso, com licença poética,
afirmo: "navegar é preciso".
Fátima Rodrigues
Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil. Em 30 de outubro de 2020.
Escrever é sempre um ato litúrgico
E cada um que crie o seu rito
Comparo escrever com a feitura de biscoitos
Escolho os ingredientes
conforme o que me faz falta
e misturo-os para sentir o sabor
Por fim dou a forma
Me apraz saborear o contéudo
e ver a forma !
As vezes faço coraçõezinhos, quadradinhos, rolinhos, bolinhas
Ao final brinco como criança !
Na escrita sigo a intuição
Parto de uma palavra, de uma paisagem, de um cheiro
As vezes há falta, as vezes há sobras
e haja lapidação: tira de lá, põe de cá
Nesse ínterim a imaginação vai longe
Gosto é de brincar com a ideia enquanto
visito lugares e pessoas
Vejo céus estrelados e os
mistérios do conto As mil e uma noites
Vejo mares extensos
Lembro até dos meus vestidos de laço na cintura
e das festas da padroeira da minha infância
Me vejo nas férias em Goiás
Vozes a cruzar
línguas e bocas a provar
explosões de alegrias, risos das minhas crianças
Escuto chuvas torrenciais e a famosa pergunta:
"- Cadê o veranico de janeiro?"
O cheiro morno de pão de queijo misturado com café enche a casa
Coisas da Dona Maria !
Tudo isso me inspira na escrita e me faz
recorrer à memoria, aos sons, letras e linguagens
Os dicionários me auxiliam num percurso que vai do desejo ao dito.
Um dia ainda saberei expressar com maestria esse oceano em que mergulho e que me encanta, mas que ao escrever nunca atravesso por inteiro.
Sinto que essa aventura me traz ventura e por isso, com licença poética,
afirmo: "navegar é preciso".
Fátima Rodrigues
Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil. Em 30 de outubro de 2020.
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