Evolução
E as palavras desciam pelas íngremes ladeiras da literatura, como fossem águas advindas de um temporal. Eram verdadeiras torrentes violentas, desprendidas...
Arrastavam impetuosamente qualquer resquício de cultura que encontrassem pela frente!
Eram milhares que se misturavam sem significado algum, mas traziam em si o poder das multidões. O ruído que provocavam era avassalador!
Ah! O poder das palavras... Nunca o subestime...
Mesmo as palavras mais desconexas podem eliminar as razões mais sólidas.
Das bocas que falam; dos sons que emitem; dos bancos que ocupam; dos espaços que tomam.
E os corações se fecharam, por não conseguirem digeri-las.
E as paixões se aquietaram, sem compreendê-las...
E os amores se banalizaram pela superficialidade de seus conteúdos.
Das nascentes contaminadas formam-se rios poluídos pela ignorância secular.
O pensamento não para, o entendimento não chega, os valores se acovardam.
Quando não existe a sabedoria, julga-se pela ausência. E nasce a sentença:
- Que se açoitem os desiguais!
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