abóbora
talvez tenham falado sobre orvalhos
de modo tão somente literário.
talvez nunca tenham visto, em verdade,
o vidro aquoso na folha da couve,
a deslizar e a encerrar as belezas
todas, enquanto a manhã se desata.
talvez tenham falado sobre os frutos
(e eu os tenha ouvido sem devido afinco)
falando, apenas – com lindas frases.
mas talvez nunca tenham visto, mesmo,
a abóbora amarela a elaborar-se
vagarosamente, onde as mãos cavaram.
talvez o fado da palavra seja
o encantamento que se dá por erro.
talvez só os olhos leiam com mais clareza,
e a pele colha com mais contrição
os sopros dos ventos que nada falam
– mas dizem, pois tocam o cerne mudo.
talvez não tenham falado o bastante.
talvez me tenha faltado sentir.
talvez nada disso seja importante.
mas é necessário ver, sem mais nada.
mas é necessário transpor a página
e trazer ao sangue as cores dos caules.
de modo tão somente literário.
talvez nunca tenham visto, em verdade,
o vidro aquoso na folha da couve,
a deslizar e a encerrar as belezas
todas, enquanto a manhã se desata.
talvez tenham falado sobre os frutos
(e eu os tenha ouvido sem devido afinco)
falando, apenas – com lindas frases.
mas talvez nunca tenham visto, mesmo,
a abóbora amarela a elaborar-se
vagarosamente, onde as mãos cavaram.
talvez o fado da palavra seja
o encantamento que se dá por erro.
talvez só os olhos leiam com mais clareza,
e a pele colha com mais contrição
os sopros dos ventos que nada falam
– mas dizem, pois tocam o cerne mudo.
talvez não tenham falado o bastante.
talvez me tenha faltado sentir.
talvez nada disso seja importante.
mas é necessário ver, sem mais nada.
mas é necessário transpor a página
e trazer ao sangue as cores dos caules.
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Um casal ( a terra e o humano )
Nossa criação humana sempre foi muito bela... desde a formação desta magnifica terra - nada foi criado contra o homem e a mulher... pelo …
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Texto sobre o amor.
Minha noite é uma caminhada para o dia... que vem em silêncio se aproximando em cantos de chiados por passarinhos - meus olhos estão quei…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Coruja Doce ê..
Julian Lael
Porque inteligência é tão braba, Não há como fugir dela pinguim; E age na surdina, logo acaba, Com o intelecto do mai…
Julian Lael
Taberna do Sol Poente
Dodge Leal
A trilha da dor não é eterna, E me formei com diplomas... Meu Deus! — naquela taberna! Mas lá é a ruína dos axiomas.…
Julian Lael