Espelho d' água
A imagem refletida no riacho é transversa
e as sombras nele projetadas fazem arte
transmudam-se em bichos de toda natureza
Bruxuleiam
Quando calmo o riacho é regato
Nunca é recatado
e não se ata a nada
Segue toda a vida
Seu barulho arrulha
e embora se contorça não se embaralha
Ao desdobrar-se de si vira reta
e segue plano
Se o relevo se empertiga vira uma queda
Atravessa com força o despenhadeiro
e abraça a moça
despenteia-lhe os cabelos
Faz rodeios para brincar de nada
como criança
Sob a luz é reflexo
espelho fora dos eixos
Tremeluza !
Seus contornos são próprios
e seu chão tem bichos de pedras
gerações inteiras de seixos afogados
sob musgos
em formas surpreendentes
Quando seca vira apoio certo
pedra sobre pedra
Se inverter a rota
me entristece
Sigo é em frente
como diz um parente
Amo o que o compõe e o indefine
Me perco nessa Geografia
E não há lupa que o mostre igual
A sua grandeza é restrita
e sobeja em ser.
Fátima Rodrigues, expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil.
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