DESAFOGO
não há covardia,
em fugir do inevitável.
ao fugir do certo, que é certo
em cada momento contado
(e incerto).
não há fraqueza,
em aceitar a dor;
que por muito te consome
e que por pouco te corrói.
que já te fizeste enxergar
o tanto que destrói.
não há prazer,
em ganhar uma luta perdida.
se tua resistência faltar
(se tua existência falhar)
é uma derrota
(garantida).
não há vida,
se cada sopro dado,
não passa de vento gelado
a escorrer na ponta de teus dedos
como teu destino
(lacrado).
só há pensamentos
(amassados)
sobre onde erraste,
sobre onde falhaste;
num brilho obscuro
que busca um contraste.
que tua mente aflita,
(reflita) todas as cores
que te foram roubadas
pelas armadilhas da tua alma.
que teu amor receba,
tudo que habitar
nos teus mais vorazes desejos.
e que sinta em cada um deles
(um beijo?)
um sopro de ar quente
novamente.
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