Na Ardência do Tempo
Vejo-me desobrigado.
Apenas me amolda o sentir.
E tudo que aspiro, tentou-me.
Se em mim existe, me valeu sorver.
Se por dentro ressoa, convivo.
Dessa margem se nutriu meu persistir.
Rebrotei de mim sempre que me despi.
Deixei partir, o que não ousou vicejar.
O resto fui eu que em urdidura guardei.
Invadi-me de começos. Posterguei todo fim.
Depois na ardência do tempo, almejei vir a ser.
Foi a sombra que me ensinou a tecitura da luz.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Versar
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