VAI-TE EMBORA 2020

Vai-te embora dois mil e vinte
Nem saudade vás deixar
Fiquei tão sozinha em casa
Sem poder ver a alvorada
No meu Alentejo, a raiar

Senti-me morrer de tristeza
Sem saber do que me escondia
Entretinha a minha mente
E via o confinar crescente
Na ânsia que em mim crescia

Deixei de olhar o vasto campo
Pleno de flores, de muitas cores
O céu do meu Alentejo
Que só da janela vejo
Sem brisa, cheiro e sabores

Para preencher o vazio
Inventei-me a cada momento
Para afugentar a peçonha
E a saudade tão medonha
Da família que amo tanto

Sabe-se lá quando a guerra acaba?
Quando nos voltamos a encontrar?
Se temos a mesma liberdade?
Se matamos toda a saudade?
Se nos voltamos a abraçar?

Há um receio deprimente
Se essa grade não se liberta
Do vírus que nos assola
Do amor que nem consola
Do toque que não desperta

Saudar o vasto horizonte
Do meu Alentejo tão lindo
O desejo que não dispenso
O sorriso… esse alento
Que tarda e está suspenso

Meu sol que vives ausente
No sentir da minha alma
Leva as mágoas para sempre
Deixa meu coração ciente
Que em breve tudo se acalma

Évora, 04/01/2021, Maria Antonieta Matos
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