Soneto da Espera
Trago a lembrança de tempos remotos
trago lembranças de um tempo passado
trago na mala grande recado
trago comigo meu álbum de fotos
No mala não cabem: perdão nem pecado
No mala que levo: debaixo do braço
No mala que é leve: e tem peso de aço
No mala que levo, um singelo recado.
Na mala, em que vige o espaço
entre o álbum e o puro ilusório,
há ali um pequeno bolsinho
Tão pequeno quanto é irrisório,
Mas ali o bilhete me avisa:
esperar, verbo intransitório.
--
9/1/21
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