103 - Prisioneiro

O coração ninguém comanda
Por mais que a mente determine,
Seu pulsar faz uma ciranda,
Torce meu peito feito estamine.

Como Calypso na Ilha de Ogígia
Encantou e seduziu Odisseu,
Em meu peito operou cirurgia
E meu amor tomou como seu.

A razão implora não me procure,
Por ti padeço como Prometeu
Acorrentado 30 mil anos que perdure
A esse amor que me derreteu.

Acordado imploro libertação
Dessa vida de troncho,
Dormindo clamo por um grilhão
Fisgado em seu eterno gancho.
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