Carro de boi
Carro de Boi
(Rosalina Lopes Pires Fialho)
Seu canto era alegre e estridente,
Na fazenda ele reinava imponente.
O velho carreiro hoje já descansa,
Do carro de boi restou a lembrança.
Na roça servia transportando toda produção,
Para ir à cidade ele era única condução.
Cada pedaço dessa estrada ele trafegou,
Cada tijolo para a nova casa ele carregou.
Os bois pelos nomes eram chamados,
Rochedo, Garboso, Tufão e Malhado.
Eles iam devagar ao passo da vida,
Ao chegar ao destino mais uma viagem se finda.
O filho caçula era o seu fiel candeeiro,
Guiando as duas juntas de bois ele ia ligeiro.
Era bonito de ver a feitura da esteira,
Para os arremates finais tirava um canivete da gibeira.
O eixo de sucupira com capricho era entalhado,
E as rodas cantantes a todos deixavam encantados.
Cada detalhe era feito com muito esmero,
Desde a mesa, os canzis, a guiada e os fueiros.
Hoje a roça não tem mais o mesmo encanto,
No coberto do engenho ele apodrece num canto.
Nossa infância foi muito feliz naquele pedaço de chão,
Hoje me resta a saudade e esta recordação.
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