Mutatis mutandis

Sentenciada a noite escurece tão revoltada
Além um fanático lamento remanesce aviltado
O medo algema aquele breu introspectivo e exultado
Muda-se o que tiver de ser mudado diz o povo confinado
À virose da solidão abespinhada, iracunda e indignada
O soro de cada lágrima flui pelas células de uma emoção agoniada
Sobram do silêncio restos de um olhar tristemente amedrontado
Enferrujadas as horas comungam excêntricas palavras espezinhadas
Da memória jorram sonhos amarfanhados e gargalhadas tão desalentadas
Frederico de Castro
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