BEIJOS QUE SÃO BEIJOS
Beijos que são beijos que passeiam de bocas em bocas que trapaceiam, beijos que são beijos que queimam, de bocas em bocas que teimam. Beijos que são beijos que disfarçam em muitas bocas que desgraçam. Beijos alheios na praça, que o seus preços rechaçam o valor de muitas vidraças. Beijos que são beijos doces agora, que seus amargores tardar não demoram, beijos esquecidos de outrora que trazem a morte num lapso de memória. Beijos cruéis e desumanos de condutas infiéis e de enganos, de sorrisos falsos largos em seus percalços, beijos de sangue em armadilhas e laços. Beijos que são beijos, bocas que são bocas que assedentam, corpos que são corpos, instrumentos formosos que desorientam. Beijos que são beijos que sugam, que desvanecem os sentidos, beijos que são beijos, que muitas vezes alimentam as almas dos espíritos traídos.