Dualidade Humana
Ouve.
A batida perdida, a semente esquecida, o vibrar intenso de não saber onde pertenço. A corrida, o alento, faz sol de céu cinzento. Deixo que flua… esta verdade, nua e crua, se algum dia fosse tua e se algum dia fosse nossa, a realidade onde o sonho fizesse menos moça.
Fecho os olhos e viajo, eu sei que aqui não me encaixo. Um tempo relativo, um viver aparente, não sabe fazer-se gente. Se fico triste, sou contente. É assim que funciona, a dualidade humana, não sabe o que é nem sabe como se chama.
O que é o tempo? Voas nele, procuras o teu sustento. E depois? Morres.
Ficaram as marcas de corações pobres e o desgosto de momentos menos nobres.
Não sabe dar valor, não sabe viver se não for com rancor. De que serve? Guardar num quadrado algo que te enerve?
Deixa-te, solta-te, envolve-te. Não queiras viver dentro do mesmo molde. Voa, rompe esse tolde que tens sobre ti, que te aperta as veias. Conhece o teu espírito, de todas as maneiras.
Vive.
~ Sara Filipa Quintaneiro dos Santos
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